DE OLHO NOS RECLAMES

Vamos ver o que os meninos andam fazendo…

Lobinho

Ontem estive conversando com pessoas ligadas ao setor gráfico. Todas reclamaram do mercado.
No fim da tarde conversei com gente de produtora de vídeo. Todo mundo reclamou do mercado.
Conversando com contatos de rádio, a reclamação era a mesma: “O mercado está difícil.”
O que me espanta, é que nenhuma providência séria está sendo tomada, como se o mercado não fossemos nós mesmos.
Sobre esse assunto li, outro dia, um artigo do Walter Longo publicado no Portal HSM.  Walter tem anos de estrada e hoje é Consultor de Estratégia do Grupo Newcomm. Seu artigo, “Uma fábula do cotidiano” , conta a história de um cidadão com um pequeno cisto sebáceo (lobinho) nas costas. O cara insistia em dizer que não era nada e um dia aquilo seria absorvido pelo organismo. Mas a coisa só ia piorando. Ora aparecia avermelhado, ora intumescido.  Após muita insistência, o cara foi ao médico e já era tarde, o simples lobinho era um câncer com avançado estado de metástase.
Daí pra frente o Walter faz uma comparação com o mundo da propaganda. Assim como eu e toda a torcida do Curingão, ele acredita que o nosso negócio (o ramo da comunicação e suas cercanias) tem nas costas um tumor em potencial, e que todos nós insistimos em dizer que não é nada. 
Basta a gente olhar em volta para ver que o negócio é mais sério que um simples lobinho.
Aumenta a desatenção dos consumidores que zapeiam a TV com velocidade cada vez maior, deixando para trás nossos brilhantes comerciais.
A crise entre agência e cliente fica cada vez mais acirrada. Uma precisando ganhar mais, o outro querendo pagar menos.
Os veículos de comunicação passam um sufoco medonho. Da Rede Globo à menor estação de rádio do interior de Goiás, todos estão endividados até o pescoço, fazendo das tripas coração, reengenharia, demitindo e brigando para sobreviver.
A remuneração está cada vez mais reduzida e os profissionais insatisfeitos com os salários achatados.
Ou seja a sintomatologia é a de uma coisa complicada para qual nós, assim como o cidadão usado na parábola do Walter Longo, não estamos dando a devida importância, pois a maioria está vendendo o almoço para garantir o jantar.
Um dia virá o diagnóstico sinistro. O mercado está com câncer. E quando essa doença chega, cessa tudo quanto a antiga musa canta. Já vivi um diagnóstico positivo de câncer e sei o quanto dói. Como diz o Chico Buarque: vai da flor da pele ao pó do osso.
É enfrentar ou morrer. Ou seja, não adianta a gente tentar baixar portarias, criar entidades, eleger diretorias de sindicato, pois o processo está instalado e deixou de ser uma questão de legislação ou controle passando a ser uma questão de saúde. Podemos até fazer congressos, debater sobre o assunto, conversar no bar, publicar no blog.  Mas o lobinho continuará crescendo. Atazanando a nossa vida. A única solução é tirar o quisto sebáceo, ou então fortificar nossos organismos com anticorpos suficientes para enfrentar um mal maior.
Walter Longo termina seu artigo com uma consideração que reproduzo na íntegra e que vale para uma reflexão:
“Nossas entidades que representam o setor de propaganda no país deveriam assumir o papel de uma junta médica de especialistas modernos e atuantes, sempre preocupados e comprometidos com o futuro, e não se transformar em conselho de sábios aposentados dormindo sobre as glórias do passado. Só assim vamos ter um lugar reservado na comunicação do futuro. Ou, então, seremos apenas otimistas desavisados que se transformarão, em breve, em mais um grupo de vítimas do critério.”
No popular, isso que dizer: se situa gente… Toma tento negada.
Vamos fazer o seguinte. Deixar nossas vaidades de lado e juntar todo mundo, dos veículos aos corretores de pastinha, para conversar sobre a doença que está comendo nosso organismo. Antes que a gente morra junto com ele. 

Agosto 28, 2007 Publicado por Roberto Lima | Artigos | | 1 Comentário