Dos ladrões de idéia.
Não existe crime pior na propaganda do que o lesa autoria. Para mim é pior do que a chupada. A chupada hoje é desmascarada na hora, graças a toda tecnologia existente
Mas a autoria é difícil de ser comprovada nessa profissão maluca. É questão de honestidade mesmo.
Ora, o profissional elabora uma idéia, pensa, verifica, discute, formula e finalmente encaminha para a produção. Vai daí que por outras circunstâncias perde o contato com aquela peça publicitária. Depois de alguns anos o publicitário fica sabendo que o seu comercial, criado e embalado em sua cabeça, recebeu um prêmio, sem que ao menos a notícia do evento tivesse chegado até ele. E o pior: o prêmio foi registrado e resgatado por um profissional mau caráter que alegou ser o dono da idéia.
Aconteceu comigo hoje.
Conversando com o Barroso Damasceno, amigo das antigas que foi meu chefe na Scala em Fortaleza, recebi a notícia que um comercial que eu havia criado para a Coelce (Companhia de Eletricidade do Ceará) ganhara um prêmio, estando entre os 100 melhores comerciais do século passado. Claro que fique feliz. Feliz até ele completar a informação. Barroso, por qualquer motivo, havia creditado a criação do comercial a um produtor filho da puta, que atravessou o meu caminho e que faço questão de esquecer. Para se ter uma idéia, esse cidadão dentre tantas manifestações de fraqueza de caráter, já havia usurpado uma outra campanha minha e do Jô Fernandes (Diretor de Arte com o qual formei dupla por um tempo). Tal campanha, feita para o Óleo Pimentel, recebeu o prêmio Ivan Curvelo há tempos. Não é que outro dia fui ver a ficha do Prêmio Colunista, no Google, e descobri com surpresa que o nome do caboclo estava lá, feito um encosto ao lado do nome de nossa dupla de criação. Arre égua.
Já devo sido roubado em muitas idéias porque nunca fui muito ligado nesses registros e nem preocupado com as premiações. Sei que tem gente fissurada nisso, mas prefiro minha parte em dinheiro. Acredito que, se o nosso trabalho criativo for bem elaborado, produzido nos trinques, balançar os corações e fizer as velhas tremerem e as crianças chorarem, até que merece um prêmio e este sempre é bem vindo, como toda e qualquer lambida no ego.
Assisti, certa vez na entrega de um Prêmio Jaime Câmara o desabafo do Carlos Jordão, grande redator e amigo, que chamou de salafrários o donos de duas agências de Goiânia, conhecidos por também se acharem dono de tudo aquilo que era criado em nome das suas empresas. Foi uma cena memorável que lavou a alma de muita gente. Hoje me recordo da cena para lavar a minha alma de novo.
Pena é não existir nenhuma legislação que proteja a criação publicitária. Mas são tantas coisas erradas nessa nossa profissão que mais uma menos uma, não causa susto nem espécie.
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