O Silêncio dos Bons.
Comecei, pelos meus endereços de e-mail uma campanha contra a CPMF.
Inventada em 93 pelo bem intencionado Ministro Adib Jantene a contribuição provisória, apelidada de imposto do cheque, visava socorrer o combalido sistema de saúde do País. No princípio se cobrava 0,2% de cada cheque processado pelos bancos.
Passados 14 anos a alíquota aumentou para 0,38%. A saúde piorou de lá pra cá (é só abrir os jornais). O P de provisória virou P de permanente. A CPMF serve com dedo-duro para a Receita Federal. Arrecadou, ano passado 30 bilhões de reais. E foi incorporada ao caixa do governo, tornando-se indispensável para manter o “espetáculo do crescimento”.
Seu prazo de validade está vencendo e há uma briga de foice instalada no congresso. Parte dos parlamentares, fiéis ao governo, aprova de cara a prorrogação até 2011. Outra parte negocia para que os estados recebam um naco desse grande bolo. E um terceiro grupo quer o fim dessa aberração que é uma tributação dupla. Por exemplo: você paga a gasolina com cheque. Além de pagar todos os impostos embutidos no preço do combustível, ainda morre em 0,38% na hora em que seu cheque é compensado.
Acho que cada um deveria mandar um e-mail para o parlamentar em quem votou dizendo: SE VOCÊ VOTAR PELA CPMF, NÃO VOTO MAIS EM VOCÊ. E cumprir a promessa mostrando que não somos um bando de carneiros.
O Martin Luther King disse uma vez: “O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem o barulho dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter ou dos sem-ética. O que me preocupa é o silêncio dos bons.”
P.S. Você encontra o endereço de todos os deputados e senadores nos sites: www.camara.gov.br e www.senado.gov.br. É só clicar e mandar seu protesto.
A Lenda da Agência Fantasma.
Assim como a lenda dos crocodilos da campanha do Prêmio Jaime Câmara, corre, à boca miúda pelo mercado, a Lenda da Agência Fantasma.
Dizem que foi uma das maiores de Goiânia. Teve uma equipe afinada e ótimos clientes.
Tudo nela era grande, inclusive a ambição. O superfaturamento era sua prática mais comum. A ordem era saquear o cliente no que fosse possível e, por outro lado espremer os funcionários ao máximo. Por isso ninguém parava na tal agência. A equipe rodava mais que bolsinha de rapariga e os clientes entravam e saiam rapidamente.
Um dia, (como em todas as lendas, há um dia), a agência amanheceu sem anunciantes. De contas, apenas três: a de luz, a de água e a de telefone.
Corre a informação que existe uma caveira de burro enterrada no local onde funciona a agência. Outros, por pura maldade, dizem que o dono carrega a caveira no bolso por onde anda. Outros, mais radicais, dizem que ele é a própria caveira de burro.
Segundo a lenda, o proprietário da tal agência anda bem pior do que era. Bate a cabeça na parede com mais frequência. Morde os dedos vorazmente. Grita ordens desordenadas a empregados inexistentes. Abre jobs fantasmas de clientes do passado. Sonha com premiações e medalhas que ficaram na sua memória, mas que foram ganhas por outros, embora ele as ostente no peito.
Quem passa pela porta da Agência Fantasma se benze e não deixa de se lembrar da frase: “Podemos enganar alguns por todo tempo, todos por algum tempo, mas não se pode enganar todos por todo tempo.”
Fala baixo senão eu grito…
![]()
Os nossos amados clientes estão confundindo mercado com feira.
Quem assiste TV deve ter sempre à mão o controle remoto na hora do intervalo, para baixar o volume. Os comerciais berram nos ouvidos da gente. Retrocedemos uns 30 anos no varejo, isso graças à visão míope dos anunciantes que preferem investir mais em mídia e menos na produção. O resultado são peças toscas, repetitivas, cansativas e alarmantemente acima dos decibéis recomendados pela OMS. A disputa pelo consumidor é uma briga de superlativos absolutos que transforma em um tormento a audiência dos breaks locais.
E, infelizmente, a tendência é piorar.
Com o garrote apertando, as agências e produtoras não têm outra saída senão o velho cartelão e a locução corrida, já que um texto de 60 segundos deve ser lido em 30. Isso sem contar com a incrível semelhança entre todos eles.
Quer saber o nível de fixação da mensagem? Proponho uma pesquisa instantânea, com grupos de consumidores alvos. Se não estiver próximo de zero eu grito.
In god we trust
O título é sugestão da Rosângela (da Uniart), e o que vamos narrar é mais uma das contradições que fazem a nossa propaganda balançar e não cair.
Nosso bom baiano Nizan Guanaes encheu uma página da Folha de São Paulo, sexta feira, com um anúncio proclamando FÉ EM DEUS, NO BRASIL E PÉ NA TÁBUA, seguido por um texto, de um ufanismo bilaquiano, no qual a certa altura, o autor afirma que “nenhum povo é soberano sem proteger a sua língua, sua cultura e projetar suas marcas no mundo.”
E por aí vai, defendendo o país com unhas e dentes, em uma atitude até mesmo louvável nesses tempos de desesperança.
Nizan fez o anúncio, para comemorar o sucesso de sua holding, a YPY e estaria tudo bem não fôra o pecado final.
Reparem bem (como diria o baiano) quem assina o reclame: b\ferrazfullpromotion, Hello, NewStyle, Reunion, Sunset Comunicação.
Esses são os nomes das empresas da tal holding (porque não conglomerado?)
Pô meu… Se é pra começar protegendo a nossa língua pátria vamos mudar logo isso. Sugiro (se é que o Nizan aceita sugestões), que os nomes mudem para: b\ferrazpromoçãototal, Alô, Novo Estilo, Reunião e Pôr-do-Sol Comunicação.
Soa meio estranho. Perde bastante glamour. Mas é a nossa pobre e humilde flor do Lácio, a língua mãe sem a qual, segundo o próprio anúncio, um povo não tem soberania.
Ou então, ele aproveita o título que a Rosângela sugeriu e muda o rumo de sua prosa. Fica mais coerente.
Contrato de Risco
Tem um redator no mercado que anda se comportando de maneira, no mínimo, estranha.
Ao ser desligado de uma agência local, e para se vingar de uma possível trama armada contra ele, riscou com um prego a pintura de três carros dos funcionários que ele acreditava fazer parte da turma que derrubou seu serviço…Riscou o carro da moça da mídia, da gerente operacional e de outro redator.
Comportamento arriscado. Se pegam ele no flagra como é que ia ser? Mas ele continua no mercado, fazendo boas peças, correndo atrás de prêmios e com um prego da mão, pronto para arranhar o carro do primeiro desafeto…
Coisa de louco…
…Então dá pra ele!
Sam Walton, fundador do Wal-Mart inventou essa história de que o cliente sempre tem razão…Aliás, ele nem disse exatamente isso. Disse que devemos ter cortesia com o cliente, tratá-lo bem e respeitá-lo. Sob pena de perder esse cliente e nesse sentido seu discurso é bem claro.
Mas amar o cliente é outra coisa. Chega às raias do melodrama e do exagero.
Estou falando disso porque vi um outdoor na rua e fui ao endereço por pura curiosidade. Ou seja, a mensagem funcionou. Parabéns para o criador da peça.
O euamomeucliente.com.br é o site de uma agência. Seria ótimo se não fosse trágico.
Trágico porque sou cético em relação a um amor verdadeiro neste jogo de gata parida em que se transformou nosso mercado, ou mercado de Fortaleza, Recife, Salvador, Vitória, Curitiba e tantos outros fora do eixo São Paulo-Rio-BH…
Brasília não conta por que o que se conta lá é dinheiro.
Com todo respeito à agência detentora do site e da idéia…Mas declarar amor em público, num cartaz seis por nove é mais uma tentativa de aquecer uma relação que se deteriora a cada dia, e só mudará de rumo com uma repactuação de todos os atores envolvidos nesse drama de ódio enrustido.
Duvido que exista amor quando há subserviência. E as agências, em sua maioria são subservientes, pois têm medo de perder e macular a vaidade.
Duvido que exista amor quando o cliente dá um aperto na tabela, chora por um precinho mais baratinho, chantageia para obter um fee deste tamanhinho.
Amor de verdade é parceria. É via de mão dupla.
Só vou acreditar nesse amor, de fato, quando chegar a ver um cliente, qualquer um, colocar em outdoor: euamominhaagencia.com.br.
Fora da Lei
Com a prática de fee, remuneração sobre faturamento, abatimento nas comissões, descontos absurdos nos preços e veículos com milhares de corretores nas ruas fazendo qualquer negócio com os clientes, vivemos um clima de fora da lei na propaganda goiana. Se fosse o velho oeste, estaríamos todos enforcados. Aliás, os donos de agência, em sua maioria, estão com a corda no pescoço. Exatamente por não entenderem que, a cada vez que se abaixam diante do cliente, mostram a bunda para o mercado.
Existem mais de 300 agências e eugências de propaganda em Goiânia. Sindicalizadas, cenpadas ou não. Todas elas queimando-se na fogueira das vaidades. Nove fora, aliás, oito fora, as que atenderam contas no Governo Marconi, o resto disputa as migalhas espalhadas pelos clientes, como se fossem pombos famintos atrás de milho.
Existem as exceções, como em toda regra. O resto está na briga de foice.
Ligue você mesmo para cada uma delas agora e pergunte como estão as coisas. A resposta vai ser a mesma: “O mercado está uma merda”.
Mas vem cá: quem é o mercado? Quais os agentes que formam essa entidade soberana? Somos nós, publicitários e publiciteiros, são os clientes, os veículos e fornecedores. Se estão todos insatisfeitos porque não resolver de uma vez por todas a questão? E resolver de uma forma simples: con-ver-san-do. É preciso um grande pacto entre os atores dessa comédia bufa que virou a propaganda goiana (aliás, essa situação se repete por grande parte do país). Um pacto sério, respeitando as leis, estabelecendo uma nova ética.
Tudo bem, dane-se a 4.680. Ninguém vai pagar o que ela manda. Mas é preciso estabelecer novos parâmetros. Uma regra única para ser jogada por todos.
ESSE ASSUNTO É LONGO DEMAIS PARA UM POST SÓ. DEPOIS A GENTE SE FALA.
Balança mas não cai…
Circula mais uma vez no mercado a informação que o Flamboyant estaria procurando uma nova agência…É a 20ª vez que escuto isso. Mas o Zé Mário continua firme. Quando uma conta com essa faz zum-zum o mercadinho todo se alvoroça. Mas é difícil. Não que a OM&B esteja prestando o melhor dos serviços…Mas é que um relacionamento produtivo de mais de 20 anos não se acaba assim de uma hora pra outra. É preciso muita vela e reza braba. Quem sabe os 318 pastores?
Sangue.
Neste link http://www.5segons.com/watch.php?id=2&v=K9hsIu6jPIg você vai ver um dos mais criativos comerciais sobre doação de sangue dos últimos tempos. Pena que os clientes da terra não apostem suas fichas em idéias tão criativas e continuem fazendo as liquidações malucas e o papai noel de agosto com geladeira recheada e acidentados…
Pra começo de conversa
Vou tentar fazer um blog sério sobre a tão maltratada propaganda goiana…Brasileira, por que não? Nada de esculhambação, feito aquele maluco do Observatório que não sobreviveu uma semana. Criticar é fácil…Por isso vou criticar. Mas vou, porque sei fazer.
-
Recentes
- Não deu tempo de tirar do papel…
- A AGPP. Vamos tirar do papel.
- APP JÁ! Em defesa da categoria.
- O consumidor confuso.
- Dos ladrões de idéia.
- Diretor de Arte para Fortaleza, precisa-se.
- Ética é coisa séria.
- A comunicação e o comunicado.
- SAFRA 2008. VAI FALTAR GENTE BOA!
- Lobinho
- O Silêncio dos Bons.
- A Lenda da Agência Fantasma.
-
Links
-
Arquivos
- Outubro 2008 (1)
- Outubro 2007 (2)
- Setembro 2007 (4)
- Agosto 2007 (14)
-
Categorias
-
RSS
Entradas RSS
Comentários RSS